Pois é, fui instalar o “Urubu” na minha máquina, mas passei por alguns perrengues antes de poder estar aqui usando ela pra começar este post. O primeiro deles foi com a minha placa mãe, que resolvi com a versão mais nova, 6.10. Mas depois disso começei a duelar com meu modem, um modem qualquer. Daqueles que o maravilhoso Ubuntu detecta sozinho. Detectou meu SATA2, por que não meu modem de 30 reais? Hum, acabei descobrindo que não é bem assim.
Não sei se você já conhece a novela do winmodem no Linux, mas resumindo, são modems cuja a maioria das funções são executadas via software e não diretamente pelo hardware. Os winmodems são mais baratos que os modems “de verdade” e hoje em dia é o que domina o mercado. O legal dessa história é que muitos fabricantes só fazem drivers pra um SO, advinha qual? Aliás, winmodem é um apelido carinhoso para softmodem, que é o nome mais “correto”. E como parece que só na capital da Argentina que ainda se usa modem, nós ficamos um pouco na mão. Por outro lado, muitos fornecedores, mesmo disponibilizando drivers, não permitem que sejam redistribuídos junto com o Linux. O usuário tem que obter diretamente com eles.

Conclusão: o Urubu não suporta winmodems, pelo menos não o meu. Nem o Fedorento, digo, Fedora. Já o Kurumim é mais legal, já vem com algumas coisas pré-instaladas, é só testar e ver qual driver funciona. Eu acho que as outras distros deveriam suportar também, parece que a próxima versão do Urubu, codinome Feisty, vai vir com pelo menos alguma coisa. Mas por enquanto, no Edgy (6.10) tive que instalar à mão. Agh!
Então vamos lá, se você tá com o Urubu 6.10 e um modem Lucent/Agere querendo “just workar” a internet discada, siga esses passos, pode funcionar como funcionou comigo. Não faço idéia dos passos pra outros modems, mas no geral é baixar os drivers de algum lugar, compilar e instalar. Tem um artigo no site do Kurumin que talvez ajude se for o caso. Os passos a seguir eu li num artigo do Ubuntu Brasil, mas tive que fazer algumas ressalvas, já que o driver citado, na época em que este post foi escrito, é antigo e não funcionou comigo.
Anets de começar, uma observação: uma tal de Agere Systems parece que comprou a Lucent há alguns anos, portanto na maioria das vezes um winmodem Lucent na verdade é um winmodem com chipset Agere. É o meu caso, na caixa tava escrito Lucent mas descobri que é um Agere. O importante é saber qual o chipset, já que o mesmo fabricante pode usar vários.
O primeiro passo é confirmar se o modem é mesmo um Lucent/Agere:
#lspci | grep Communication
Feito isso, precisamos instalar o compilador C na máquina, se já não tiver. Vamos precisar baixar o fonte e compilar. O bendito driver se chama Martian e possui um site oficial, onde você pode baixar o fonte, de preferência a versão mais recente (nem queira saber os gemidos que o meu modem fez com a tal versão antiga). Há um link legal, o current-full, que nos redireciona para a versão mais recente, neste momento a de 3/12/2006, que é a que eu vou usar como referência.
#apt-get install build-essential
#apt-get install linux-headers-`uname -r`
Instalados os pacotes e baixado o fonte do driver, basta extrair o arquivo, entrar na pasta e rodar o make:
$tar -xvzf martian-full-20061203.tar.gz
$cd martian
#make all
#make install
Prontinho! Se não der nenhum erro, é claro! Agora você tem que carregar o driver e rodar o martian_modem (este realmente é necessário), mas colocar isso num lugar que seja executado automaticamente durante o boot, por exemplo inserindo os comandos no arquivo /etc/rc.local:
modprobe martian_dev
martian_modem ––daemon
É claro que se quiser navegar já, você tem que executar esses comandos no terminal. Agora é só abrir o discador de sua preferência, como o kppp do KDE ou o gnome-ppp, este último que não consegui fazer funcionar (problemas chatos de permissão que deixei pra lá). Por enquanto tô me contentando com o wvdial que é modo texto. Antes de mostrar como usar esse troço, crie um link de /dev/ttySM0, o dispositivo criado pelo Martian, para /dev/modem, que é a localização padrão do modem no Linux, onde os discadores normalmente tentam encontrá-lo.
#ln -s /dev/ttySM0 /dev/modem
Agora o wvdial. Isso já vem pré-instalado, é só configurar o /etc/wvdial.conf e rodar o comando pra conectar. Copie o modelo de arquivo que vem com o Martian na pasta scripts como /etc/wvdial.conf, e edite o arquivo colocando o número do provedor, usuário e senha. Ou manda um #wvdialconf /etc/wvdial.conf se estiver com preguiça de copiar, mas acho que o arquivo fica meio diferente. Enfim, é só rodar o comando, esperar o modem cantarolar, e navegar a incríveis 5KB/s:
#wvdial
“Os avanços nos meios de comunicação e a internet colocam hoje à disposição de todas as pessoas um número assombroso de informações. Não há ser humano que consiga absorver tanta coisa. Na Idade Média, a quantidade de informações que um homem normal recebia durante toda a vida não enchia um jornal de domingo.